segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Versão 15 de 10 de Janeiro de 2011

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CORAGEM Eu diria salchichas

SARGENTO Nome

CORAGEM Ana Fierling

SARGENTO Chamam-se todos Fierlings portanto

CORAGEM Eu chamo me Fierling eles não

SARGENTO Não dissestes que são teus fIlhos

CORAGEM Porque é que se haveriam de chamar todos da mesma maneira este chama-se Eilif Nojoscki o pai dele dizia sempre que se chamava Kojoscki ou Mojoscki ou qualquercoisósky o rapaz lembra-se bem dele só que é de outro que se lembra um francesito de pera pequena herdou a inteligência do pai que era capaz de tirar as calças do rabo a um lavrador sem que ele desse por isso cada um tem um nome diferente

SARGENTO Cada um tem nome diferente

CORAGEM Como se o senhor não soubesse destas coisas

SARGENTO Então aquele é chinês

CORAGEM Enganou-se é suíço

SARGENTO Depois do francês um suíço

CORAGEM Francês nunca ouvi falar de franceses se continua a baralhar as coisas ficamos aqui até anoitecer é suíço mas chama-se Fejos um nome que não tem nada a ver com o pai dele o pai tinha outro nome era um construtor de fortalezas um grande bebedolas

SARGENTO Porque é que se chama Fejos

CORAGEM Imaginação não é o seu forte chama-se Fejos porque quando veio ao mundo andava com um húngaro que tinha uma doença mortal embora nunca bebesse uma pinga um homem honrado coitado o rapaz saiu-lhe a ele

SARGENTO Mas se não foi o pai dele

CORAGEM Saiu a ele na mesma chamei-lhe Queijo-Suíço esta chama-se Katrin é metade alemã

SARGENTO Uma sagrada família sem dúvida

CORAGEM A minha carroça e eu já vimos o céu e o inferno

SARGENTO Vocês os dois deviam chamar-se Boi Jacob e Boi Esaú assim atrelados à carroça nunca largam o jugo

EILIF Mãe posso partir-lhe aquele focinho de porco

CORAGEM Quietinho estás proíbido de o fazer que me diz duma boa pistola ou duma fivela a sua senhor sargento está nas últimas

SARGENTO Preciso de outra coisa estes rapazes são direitos como árvores uma boa peitaça pernas tesas bons músculos porque se querem esquivar do serviço militar

CORAGEM Nada a fazer sargento os meus filhos não foram feitos para a guerra

SARGENTO Porque não a guerra dá lucro e glória vender botas é coisa de mulher anda cá tens aí músculos ou gordura de galinha

CORAGEM Gordura de galinha basta um olhar duro cai redondo no chão

SARGENTO E matava um touro na queda

CORAGEM Deixe-o em paz ele não serve para a guerra

SARGENTO Disse que a minha cara parecia um focinho de porco insultou-me vamos ajustar contas de homem para homem

EILIF Não te preocupes que não é homem para mim

CORAGEM Quietinho só estás bem à porrada ele tem uma faca na bota

SARGENTO Arranco-lha como se fosse um dente de leite vamos lá mariquinhas filho da mamã

CORAGEM Sargento vou contar tudo ao Coronel vai parar à prisão o tenente namora a minha filha

SARGENTO Calma que tens tu contra o serviço militar o pai do rapaz foi soldado não disseste que morreu no campo de batalha

CORAGEM É uma criança quer levá-lo como um cordeiro para o matadouro quer ganhar cinco florins por ele
SARGENTO Vai ganhar um lindo boné e botas de cano alto
EILIF De ti não aceitarei nada

CORAGEM Vamos à pesca diz o pescador à minhoca corre grita que nos querem roubar o teu irmão atreva-se a raptá-lo e mato-o como se fosse um cão vendemos roupas presuntos somos gente de paz

SARGENTO Tem vergonha nessa cara passa para cá a faca bruxa confessa que vives da guerra e de que outra maneira podias viver não há guerra sem soldados

CORAGEM Não é preciso que sejam os meus filhos

SARGENTO Hás-de roer os ossos e deixar a carne tenrinha queres engordar as tuas crias mas a guerra não te pode pedir nada em troca chamas-te Coragem e tens medo da guerra o teu ganha pão os teus filhos não têm medo da guerra

EILIF É preciso mais do que uma guerra para me meter medo

SARGENTO É assim mesmo olhem para mim acham que a vida militar me tem feito mal ando nisto desde os dezassete anos

CORAGEM Ainda não chegaste aos setenta

SARGENTO Espero fazê-los

CORAGEM Claro que sim debaixo da terra

SARGENTO Queres dizer que vou morrer

CORAGEM E se for verdade se conseguir ver o teu o destino pareces um cadáver que caminha

QUEIJO-SUÍÇO Ela consegue ver o futuro

SARGENTO Diz lá o futuro não acredito em bruxarias deixa-me rir é isso e cagar na relva

CORAGEM Eilif Queijo Suiço Katrin seremos rasgados ao meio se entrarmos na guerra por especial favor faço-lhe o serviço de borla aqui uma cruz negra como a morte tira uma sorte

SARGENTO Não tiro qualquer uma sou exigente tudo aldrabices

QUEIJO-SUÍÇO Saiu-lhe a cruz negra está pronto para morrer

SARGENTO Intrujaste-me não me assusto com um cordeiro a gemer

CORAGEM Tu é que te intrujaste no dia em que foste para soldado vamo-nos ao caminho não há guerra todos os dias tenho que trabalhar

SARGENTO Bruxa não me enganas com intrujices o teu bastardo vai connosco para fazer-se soldado

EILIF Eu gostava mãe

CORAGEM Cala o bico diabo finlandês

EILIF O Queijo-Suíço também quer ser soldado

CORAGEM Não acredito obrigo-vos a tirar as sortes querem abandonar a vossa velha mãe demónios querem ir para a guerra o mundo não é um vale de alegrias essas histórias do anda comigo soldado precisamos de mais generais sargento tenho muito medo que os meus filhos não voltem eles não prestam para a guerra Eilif tira a sorte aí está uma cruz infeliz mãe que pariu com tanta dor vai morrer amaldiçoado na flor da vida se for para soldado comerá o pó do chão é temerário como o pai se não for prudente será carne para canhão vais ser prudente
(...)

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