sábado, 1 de janeiro de 2011

Versão 14 de dia 28 de dezembro de 2010

SARGENTO

Como é que se pode recrutar uma companhia num lugar como este estou a pensar em suicídar-me até dia 12 quatro pelotões nem consigo dormir as pessoas são manhosas se consigo apanhar um não me importo se tem varizes peito de galinha prego-lhe uma borracheira assina nessa altura diz que tem de ir dar uma mija cheira-me a rato no buraco corro atrás dele fogem como piolhos por costura não sabem o que é palavra de homem nem honra nem lealdade nem fé ou sentido de dever perdi a confiança nos homens há muito tempo que não têm guerra de onde lhes vem a moral a paz é uma confusão um desleixo a guerra põe tudo na ordem em tempo de paz a Humanidade aumenta a torto e a direito desperdiçam-se homens e gado comem até se enfartar um naco de queijo num belo pedaço de pão branco e uma fatia de toucinho por cima do queijo quantos homens novos e cavalos há na cidade ninguém sabe estive em sítios onde há setenta anos não há guerra as pessoas não têm nome não se conhecem a si próprias é preciso guerra para haver registos e inventários metem-se as botas em fardos o milho em sacos os homens e as bestas numerados e arrumados sem ordem não há guerra a guerra custa a começar depois desabrocha floresce ninguém a pára as pessoas começam a combater e depois como jogadores que não querem fazer contas ao que perderam não param a princípio tem-se medo da guerra é uma coisa nova aí vem gente bom dia boa gente quem sois


CORAGEM

Gente de negócios

Comandantes parai as tropas

Deixai os soldados comprar

Mãe Coragem tem carruagem

Com botas p'ra morrer e marchar

Os vossos homens não vos adoram

Canhões às costas e piolhos

É p'rá morte que marcham por vocês

Dêem-lhes botas para calçar

Acordem homens acorda o mundo

Derrete a neve os mortos dormem

Sobreviventes saiam da cama

Calcem as botas e andem

Homens marcham até morrer

Não lutam sem salchichas para comer

Cospem sangue é vermelho

Tomem meu corpo o meu sangue

Na barriga vazia um canhão a troar

Os homens não estão nada bem

Para o inferno mandem-nos marchar

Cumprimentos aos malditos

Acordem homens acorda o mundo

Derrete a neve os mortos dormem

Sobreviventes saiam da cama

Calcem as botas e andem


SARGENTO

Alto aí qual é o vosso regimento escumalha


EILIF

O Segundo Regimento Finlandês


SARGENTO

Documentos


CORAGEM

Que documentos


QUEIJO SUÍÇO

O quê não a conhece é a Mãe Coragem


SARGENTO

Nunca ouvi falar porque se chama Coragem


CORAGEM

Coragem é o nome que me deram tinha medo de ficar sem dinheiro sargento atravessei um bombardeamento como uma louca com cinquenta pães na carroça que estavam a ficar bolorentos


SARGENTO

Nada de piadas ouviu os documentos


CORAGEM

Tenho uma biblia para embrulhar pepinos um mapa da minha terra sabe Deus se lá consigo chegar aqui vem carimbado que o meu cavalo branco não tem a febre aftosa infelizmente morreu custou quinze fIorins não a mim graças a Deus


SARGENTO

Estás a gozar com a minha cara precisas de uma licença


CORAGEM

Fale decentemente comigo e não diga em frente dos meus inocentes filhos que estou a seduzi-lo não tenho tempo para isso uma cara honrada é licença suficiente para o Segundo Regimento se o senhor não sabe ler na minha cara pior para si não deixo que me carimbem


SARGENTO

Cheira-me a insubordinação no acampamento apreciamos a disciplina

Sem comentários:

Enviar um comentário